sexta-feira, 20 de maio de 2016

A crise do Rio, os servidores e as isenções

Hoje cedo fiquei estarrecida com reportagem do telejornal Bom Dia RJ, da Rede Globo, que chegava à conclusão de que a responsabilidade pelo rombo nas contas do estado do Rio de Janeiro é da folha de pagamento dos servidores. Na matéria foram ouvidos especialistas que afirmaram que os reajustes concedidos nos últimos anos aos servidores foram muito acima do que deveriam/poderiam. 

O que a reportagem apontava como solução, de acordo com os entrevistados ouvidos, era o aumento da contribuição para os servidores ativos. A reportagem, porém, não levou em conta as isenções fiscais concedidas a empresas pelos últimos governos estaduais.

Diante do meu incômodo, resolvi pesquisar...

Segundo dados do Portal da Transparência do estado, em termos absolutos, entre 2009 e 2015, os valores destinados a pagamento de pessoal praticamente dobraram. Mas aumentaram quase na mesma proporção que a Receita Corrente Líquida do estado. Assim, o percentual de pagamentos em relação à RCL varia pouco: vai de 37,41% a 43,1% entre 2009 e 2015. Sobrariam, portanto, mais de 50% para outras despesas e investimentos somente levando em consideração a RCL. Há outros tipos de receita.

De acordo com o texto da Lei de Responsabilidade Fiscal, os estados podem utilizar até 60% da RCL para pagamento de pessoal. Como podemos ver abaixo, o Rio de Janeiro ainda está longe de atingir esse limite.



Quem muito tem, pouco paga

As desonerações, porém, somam, de 2007 a 2015, R$ 
185.850.191.563,00, segundo o Tribunal de Contas do Estado. O TCE aprovou ontem as contas de 2015, mas fez ressalvas e fará auditorias em seis secretarias: Saúde, Educação, Transportes, Meio Ambiente, Fazenda e Segurança Pública. De acordo com o relatório apresentado, grande parte dessas isenções fiscais sequer tramitam pela Secretaria de Fazenda e impedem o controle desses benefícios. O TCE disse, ainda, que a Secretaria de Fazenda não tem feito a cobrança das grandes empresas devedoras de ICMS. Somente em 2015 foram anunciadas isenções na ordem de R$ 36 bilhões.

Ouve críticas, ainda, aos valores pactuados com Organizações Sociais no âmbito da saúde. O TCE afirmou que o estado investiu apenas 0,1% dos recursos de saúde na atenção básica. Caiu de cerca de R$ 60 milhões em 2014 para R$ 5,5 milhões em 2015. O relatório sugere que esta mudança tem relação com os contratos feitos com OS.

Em Segurança, o relatório afirma que houve aumento de mais de 90% dos gastos, porém, os índices de violência aumentaram.

Na Educação, o estado aplicou 25,99% da receita líquida de impostos, o que significou: R$ 9.015.498.426. O mínimo constitucional previsto é 25% da RCI. 

Se a folha de pagamento dos servidores não chega nem a 50% da RCL, o endividamento do estado chega a incríveis 197%, conforme descrito pelo relatório do TCE. A Lei de Responsabilidade Fiscal admite até 200% de endividamento.


Veja a íntegra do relatório do Tribunal de Contas do Estado.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Os Atos de Temer - resumão

Gente, os últimos dias têm sido complicados de ser acompanhados. Realmente, de tédio ninguém morre no Brasil. Já de vergonha... 

Bem, como a coisa é muito confusa e está tudo acontecendo rápido de mais, optei por fazer um apanhado dessa primeira semana do governo ilegítimo de Michel Temer.

Ato número 1 - Contra a corrupção
No dia 12 de maio, quando assumiu interinamente e ilegitimamente a presidência da República, Michel Temer nomeou seus ministros. Todos homens, todos brancos, todos ricos, sete investigados pela Lava-Jato.


Fodo de divulgação oficial da equipe de Michel Temer
Ato número 2 - Para cortar gastos
No mesmo dia em que assume, Temer anuncia o corte dos seguintes ministérios: Previdência Social; Comércio Exterior; Ciência e Tecnologia; Cultura; Direitos Humanos, Política para as Mulheres e Igualdade Racial; Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Desenvolvimento Agrário; Controladoria-Geral da União. Perderam status de ministério: a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a Chefia de Gabinete, a Advocacia-Geral da União e o Banco Central. Mas, o Gabinete de Segurança Institucional virou ministério no governo ilegítimo de Temer. Ou seja: perdem importância as áreas sociais, mas o povo da pistola ganha (mais) poder.

Ato número 3 - Nova logomarca do governo federal
Tão logo assume, Michel Temer divulga a nova logomarca do seu governo ilegítimo. A logo é uma versão antiga da bandeira brasileira que vigorou durante a ditadura empresarial-militar de 1964. Ela traz 22 estrelas, contra as atuais 27 da bandeira oficial que representam todos os estados e o Distrito Federal.

Ato número 4 - Legislando em causa própria
Esse merece vários subtópicos... O temo "legislar" é proposital, já que quase metade dos ministros migrou de deputado ou de senador para o Executivo. 

- O atual ministro da Saúde, por exemplo, Ricardo Barros, teve financiamento de sua campanha para deputado feita por grupos ligados a planos de saúde. Agora, ele diz que o SUS não pode ser universal e quer reduzir o seu tamanho. Como se isso não bastasse, ainda declarou que não pretende fiscalizar os serviços prestados pelos planos privados.

- Outro ministro que anunciou cortes em programas sociais foi o do Desenvolvimento Social. Ele pretende reduzir em 10% o Bolsa Família. O nome dele é Osmar Terra e também migrou de deputado federal para ministro. É conservador, contra legalização de drogas, mesmo da maconha para tratamento medicinal. 

- Ronaldo Nogueira, ministro do Trabalho, quer rasgar de vez a CLT, defende a terceirização em todos os níveis. Também se licenciou do mandato de deputado federal para assumir o ministério. É pastor da Assembleia de Deus. Um de seus projetos enquanto deputado prevê a troca obrigatória de carros com 15 anos ou mais de uso por zero Km. Enquanto deputado, votou contra o PL das Terceirizações. Agora que é ministro, quer liberar tudo. Esse está acendendo uma vela pra Deus e outra pro diabo. Isso é pecado, seu pastor.

- Henrique Meirelles já declarou que fará com aval e apoio de Temer a nova Reforma da Previdência, para aumentar o tempo de contribuição dos trabalhadores, aumentar a idade para a aposentadoria, "criar" uma idade mínima e fará isso para atingir já os atuais trabalhadores, inclusive os que estão próximos de se aposentar.

Ato número 5 - O Alexandre de Moraes
Esse merece um tópico a parte. Assumiu o Ministério da Justiça e Cidadania. Foi advogado de cooperativa acusada de lavar dinheiro do PCC (sim, Primeiro Comando da Capital - facção de São Paulo). A recente polêmica na qual se meteu foi dizer que não ia mais admitir eleição para o cargo de procurador-geral da República. A constituição prevê que a escolha seja do presidente, mas há uma eleição interna no Ministério Público e a presidência referendava o mais votado. Temer o desautorizou. Enquanto secretário de Segurança de São Paulo, agiu com extrema violência contra os movimentos sociais e já declarou que em nível Brasil vai tratá-los como "guerrilha". É conhecido por desconsiderar as garantias individuais e as prerrogativas de liberdade do cidadão. Sua última ação à frente da Secretaria de Segurança Pública de SP foi permitir que a polícia faça reintegrações de posse sem autorização judicial. Prevejo tiro, porrada, bomba e muito sangue. A cidadania parece que vai passar longe desse ministério.

Ato número 6 - As privatizações
O ministro da Educação, Mendonça Filho, quer privatizar as universidades públicas. Além dos projetos em tramitação que preveem pagamento para a pós-graduação e cursos de extensão, ele quer estender esse pagamento também para os cursos de graduação. Michel Temer e equipe também já declararam diversas vezes que a saída para a crise consiste em reduzir a participação do Estado em empresas públicas. No documento do PMDB "Uma ponte para o passado futuro" há clara sinalização de desvinculação orçamentária para a educação básica e superior e para a saúde. Ou seja, não vai ter dinheiro e vai ter parcerias público-privadas. Quanto às empresas, estão na mira a Petrobras, a Eletrobras e Furnas. Há, ainda, o que sobrou de aeroportos, portos e rodovias estimados em R$ 32 bilhões (era mais, tá, gente, mas o governo Dilma deixou pouco da malha aeroviária para ser privatizado). 

Ato número 7 - Liderança acima de qualquer suspeita, só que não
André Moura (PSC-SE) foi designado líder do governo ilegítimo de Michel Temer na Câmara federal. Ele é tão sem confiança que nem o sobrenome dele é o correto. Embora seja conhecido como André Moura, o nome dele de verdade é André Luis Dantas Ferreira. É acusado e investigado por tentativa de homicídio, lavagem de dinheiro, corrupção e desvio de dinheiro público. Nessa de desvio de dinheiro público consta que enquanto prefeito de Pirambu (SE) ele fez a Prefeitura pagar suas contas no mercado. Nem as compras da casa dele eram pagas pelo salário dele! Já há diversos parlamentares dizendo que a indicação desse senhor é resultado da pressão de Eduardo Cunha, de férias afastado da Câmara por ser réu na Lava-Jato. André Moura é conhecido aliado de Cunha.

Ato número 8 - Passaportes diplomáticos
O ministro das Relações Exteriores, José Serra, concedeu passaporte diplomático válido por três anos para dois representantes da igreja evangélica Assembleia de Deus. São eles: Keila Campos Costa Ferreira e Samuel Ferreira. Este último, pastor investigado pela Lava-Jato suspeito de lavar dinheiro para Eduardo Cunha. Keila é sua esposa. Que beleza.

Ato número 9 - Perseguições políticas/raciais
Temer exonerou o jornalista Ricardo Pereira de Melo da presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele estava há apenas duas semanas no cargo, foi indicado por Dilma Rousseff e tinha mandato até 2020. Outro que perdeu o emprego no Palácio do Planalto foi José Catalão. Conhecido e querido por todos, o garçom foi demitido acusado de ser petista. José era garçom da presidência da República. Ele não tem qualquer vinculação partidária. Ele é negro.


* Colaborou Luciano Menezes Júnior

sábado, 7 de maio de 2016

O jornalismo de suposição

Já repararam que uma série de matérias nos jornais, revistas e TV (especialmente ligadas à política e à economia) não estão baseadas em fatos, mas em suposições? Teorias do que pode acontecer, especulações, conversas de corredor...

O compromisso com a informação, com a notícia, com o fato parece secundarizado. Não é esquisito?

Quando será que deixamos de fazer jornalismo baseado na
realidade e passamos a fazer jornalismo sobre as realidades possíveis? E, com que objetivo falamos mais do que pode acontecer do que daquilo que realmente aconteceu? Ainda não tenho essas respostas... Mas vou dar alguns exemplos de como o "antijornalismo" está ganhando espaço.

Uma das matérias de destaque de O Globo de hoje é que "Dilma planeja deixar o Palácio do Planalto descendo a rampa". Pergunto: aconteceu? Podemos dar um lide para essa matéria (o que aconteceu, quando aconteceu, onde aconteceu, como aconteceu, por que e com quem aconteceu)? Não, não podemos. E por quê? Porque não está baseada em fatos, mas em suposições.

Quer ver outros exemplos?

Veículos 'autônomos' estarão nas ruas em cinco anos - aqui também se trata de uma suposição. Ainda que o título seja afirmativo, nada na matéria indica as reais condições para que esses carros estejam de fato nas ruas nesse período de tempo. Não dá para aplicar o lide (aquelas seis perguntinhas pra situar o leitor) aqui também...

Dólar deve ficar abaixo de R$ 4 e não voltará a bater recorde - do começo ao fim a matéria é especulativa. Há apenas previsões que dependem do desenrolar de fatos políticos. O único fato em todo o texto é que o Banco Central tem realizado venda de swap para manter o dólar próximo de R$ 3,50. E este fato não apresenta desdobramentos. Nenhum epecialista foi ouvido, por exemplo, pra dizer se a estratégia é boa para o pais. A matéria não se dá ao trabalho de aprofundar as consequências desse único fato. Bem, eles não fizeram, mas eu faço. Tento explicar leigamente: operação de swap é uma espécie de venda de dólar no chamado mercado futuro. O BC emite papéis de dólar dizendo que se responsabiliza em pagar a diferença para os investidores, caso o dólar passe a valer mais que os papéis vendidos - embora consiga segurar por um tempo o patamar da moeda estrangeira, pode gerar prejuízos de bilhões para o BC. Em 2015, foram aproximadamente R$ 90 bilhões de prejuízo. Sim, somos nós que pagamos essa conta.

Incêndio pode reduzir em 25% produção de petróleo do Canadá - a história é que um incêndio de grandes proporções atinge uma cidade no Canadá. Milhares de moradores estão sendo retirados, mas o foco da matéria não é no que está acontecendo, não é na vida dessas pessoas, mas no que pode acontecer: o provável, mas incerto, impacto na produção de petróleo local. Embora o assunto seja o incêndio, ele é totalmente secundarizado por algo que não aconteceu. Nenhuma autoridade ouvida, nenhum morador ouvido, nenhum dado concreto sobre quantas pessoas deixaram suas casas, para onde estão indo, se há mortos ou feridos, quando o fogo começou, se há residências atingidas ou se a medida é preventiva... Nada.

Como dar credibilidade a um jornalismo que não exerce sua função social?


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Os "ministeriáveis" de Temer - breve currículo

Resolvi pesquisar um pouco os currículos dos indicados ou cotados para assumir ministérios em um eventual governo de Michel Temer. Sem mais delongas, porque alguns currículos exigem paciência, apresento a vocês poucos perfis técnicos e muitos perfis no mínimo questionáveis. Preparados?

Preferi não associar nenhum ministeriável diretamente às raposinhas... Por isso,
dessa vez, a imagem vai aqui em cima e não ao lado do texto.


Gilberto Cassab (PSD) – Comunicações

Ministro das Cidades no segundo governo Dilma. Foi prefeito de São Paulo duas vezes. Foi acusado de irregularidades quanto ao seu patrimônio que aumentou 316% mais que a inflação entre 1994 e 1998, quando era deputado estadual e secretário de Planejamento de Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo. De 1998 a 2008 o patrimônio declarado de Kassab passou de R$ 985 mil para R$ 5.107.628,31. Em 2004 foi determinada a quebra dos sigilos bancários de Cassab sob acusação de enriquecimento ilícito. Dois dias depois um desembargador derrubou a decisão. Em 2005, o Conselho Superior do MP de São Paulo arquivou o inquérito.

Também recaiu sobre ele suspeitas de financiamento ilegal de sua campanha para a prefeitura de São Paulo. Em fevereiro de 2010, chegou a ter seu mandato cassado, mas em maio do mesmo ano o TRE de São Paulo interpretou que não foi possível demonstrar irregularidades nas doações por falta de provas.

Em 2014 Kassab foi absolvido de outro processo que investigava a contratação irregular da empresa Controlar, que é responsável pela inspeção veicular na cidade de São Paulo. Ele era suspeito de ter reativado um contrato e proporcionado um prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos.

Marcos Pereira (PRB) – Ciência e Tecnologia

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Pereira é advogado por formação. De 2003 a 2009 foi vice-presidente da Rede Record de Televisão. É dono atualmente de uma empresa de advocacia. Acredita (como todo cristão) na teoria do criacionismo e diz que respeita o darwinismo. É, no mínimo, curioso pensar em um religioso à frente da Ciência e Tecnologia.

Bruno Araújo (PSDB) – Cidades

Deputado federal pelo estado de Pernambuco. Advogado de formação, foi Araújo quem deu o voto 342 que autorizou o prosseguimento do processo de impeachment de Dilma Rousseff para o Senado. Antes de proferir o voto, cantava chorando "Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor". É presidente do PSBD em Pernambuco.

José Serra (PSDB) – Relações Exteriores

Atualmente Senador por São Paulo, José Serra já foi prefeito e governador de SP. Foi perseguido político pela ditadura de 64. Economista de formação, Serra foi ministro do Planejamento e da Saúde nos governos de Fernando Henrique Cardoso. Tentou por duas vezes ser presidente da República. Foi derrotado por Lula (2002) e por Dilma (2010). 

Em 2009 o site Wikileaks vazou uma correspondência entre Serra e executivos de duas petrolíferas norte-americanas: a Chevron e a Exxon. Serra prometia mudar as regras de exploração do pré-sal brasileiro para beneficiar empresas estrangeiras. O assunto, porém, foi deixado de lado com a reeleição de Lula. Em 2015, José Serra, então senador, finalmente apresenta o PLS 131 que estabelece participação mínima da Petrobras no consórcio de exploração do pré-sal.

No início deste ano, Serra foi acusado de manter uma funcionária fantasma em seu gabinete. Margrit Dutra Schmidt é irmã da jornalista Miriam Dutra, que teve um romance com FHC. Margrit nunca teria comparecido ao trabalho e nem é conhecida pelos seus colegas de gabinete. Serra "esclareceu" que os assessores não a conhecem porque ela trabalha de casa e que não poderia revelar a natureza de seu trabalho porque se trataria de um projeto sigiloso na área da educação. A prática de trabalhar de casa é vetada pelo Senado.

Serra também está envolvido em escândalo das licitações do transporte público de São Paulo. Serra combinaria previamente os preços dos vencedores e perdedores das licitações para aquisição de equipamentos e serviços ferroviários. Ele teria assinado contratos fraudulentos junto com outros governadores de São Paulo ligados ao PSDB entre 1998 e 2008.

Raul Cutait (indicado pelo PP) – Saúde

Cirurgião gástrico no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo,  e professor da Faculdade de Medicina da USP, Cutait primeiro sinalizou positivamente à indicação do Partido Progressista para ocupar a pasta da Saúde. Mas, notícias mais recentes dão conta de que ele voltou atrás na decisão. Segundo a alegação do médico, o PP não aceitou que ele escolhesse os profissionais da área técnica do ministério. Ao perceber que não teria autonomia no comando da pasta, Raul Cutait resolveu negar o convite. O médico não tem filiação político-partidária.

Mendonça Filho (DEM) – Educação

Administrador por formação, Mendonça Filho é atualmente deputado federal por Pernambuco. É considerado um gestor público "moderno e arrojado". Foi governador de Pernambuco em 2006, quando assumiu a vaga de Jarbas Vasconcelos (PMDB). É apoiador de Eduardo Cunha na Câmara e líder do DEM na Casa.

Henrique Eduardo Alves (PMDB) – Turismo

Foi presidente da Câmara entre 2013 e 2015. Foi ministro do Turismo no segundo mandato de Dilma de abril de 2015 a 28 de março desse ano. Deixou o governo com a leva de ministros do PMDB. É um dos proprietários da TV Cabugi, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Norte; da Rádio Globo Natal; da Rádio Difusora de Mossoró e do jornal Tribuna do Norte, do qual é presidente.

Foi citado na Lava-Jato pelo doleiro Alberto Youssef e é investigado pelo Ministério Público Federal. Já teve sua casa revistada em mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal.

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, pediu ontem (3 de maio) a abertura de mais um inquérito contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e contra Henrique Eduardo Alves. Dessa vez, correspondências indicariam doações ilegais de campanha e favorecimentos (por meio de medidas provisórias e projetos de lei) ao Grupo OAS e ao banco BTG.

Geddel Vieira Lima (PMDB) – Secretaria de Governo

Outro investigado pela Operação Lava-Jato, Geddel Vieira Lima foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. Foi ministro da Integração Nacional do governo Lula. Na época, destinou 90% das verbas liberadas de seu ministério para a Bahia e foi investigado pelo Tribunal de Contas da União. Foi acusado de favorecimento,mas o então presidente Lula desmentiu as acusações.

Na Lava-Jato é acusado de favorecer a OAS em várias frentes, seja pedindo dinheiro à empreiteira para campanhas de aliados – que mais tarde devolveram em obras os valores investidos pela OAS – ou fazendo lobby para aprovação de projetos de lei que beneficiassem a empreiteira.

Geddel Vieira Lima também foi citado em outro escândalo, o dos "Anões do Orçamento", descoberto em 1993. O esquema era realizar emendas orçamentárias para entidades sociais fantasmas. Também havia empreiteiras atuando no desvio de verbas. O esquema era comandado pelo então deputado José Alves, que ganhou 56 vezes na loteria somente no ano de 1993.

Romero Jucá (PMDB) – Planejamento

Jucá é o braço direito do vice-presidente Michel Temer. É investigado pela Lava-Jato também por envolvimento nos esquemas de corrupção e fraudes na Petrobras. É economista de formação. Foi nomeado ministro da Previdência Social em 2005, pelo então presidente Lula, mas foi exonerado dias depois por suspeita de corrupção com empréstimos bancários irregulares. No ano seguinte, foi escolhido por Lula para ser líder do governo. Ocupou o cargo também no primeiro governo de Dilma. 

Outra investigação de esquemas de corrupção, a Operação Zelotes também abriu inquérito para apurar suposto envolvimento de Jucá e Renan Calheiros com a venda de emendas e medidas provisórias sobre o setor automotivo.

Enquanto presidente da Funai (1986-1988), autorizou ilegalmente a extração de madeira em terra indígena. Aumentou o número de funcionários da Funai de 3.300 para 4.200 somente na cidade de Recife, quando houve intervenção do Tribunal de Contas da União por irregularidades financeiras no órgão.

Ainda enquanto presidente da Funai, Jucá foi quem mais demarcou territórios ianomâmis, realizando frequentes reduções nos seus tamanhos. O Parque Yanomami teve sua área diminuída em 75%.

Henrique Meirelles – cotado para o Ministério da Fazenda

Executivo do setor financeiro nacional e internacional, Meirelles foi presidente do Banco Central no governo Lula. Foi o primeiro presidente do BC a ter status de ministro. É membro de conselhos de diversas empresas, dentre elas a Azul Linhas Aéreas. É atribuída à sua gestão a redução da inflação e a redução na taxa de juros do Brasil, em 2009, ao menor nível da história.




terça-feira, 3 de maio de 2016

O que é e o que não é feminismo

Há dias venho pensando neste texto, mas alguns imprevistos aconteceram e eu não pude concluir esta atualização. O objetivo é ser bem clara e objetiva sobre o que é e o que não é feminismo. Em tempos de redes sociais, as pessoas estão muito dispostas a falar toda sorte de abobrinhas. E também a acreditar em várias delas.

Vamos lá ao pequeno manual:

Feminismo é machismo ao contrário. ERRADO! Feminismo nasce da necessidade das mulheres serem tratadas com igualdade, terem os mesmos direitos e deveres sociais e igualdade de oportunidades que homens. Um exemplo exitoso disso é o direito ao voto. No entanto, ainda brigamos para recebermos os mesmos salários ao desempenhar as mesmas funções que homens. Brigamos para não sermos estupradas ao andarmos sozinhas à noite. O machismo, ao contrário, não visa à igualdade de gêneros, mas subalterniza a mulher.

Feminismo é odiar os homens. ERRADO! Ódio aos homens tem OUTRO nome: é misandria. Assim como o ódio às mulheres recebe um nome que não é machismo, mas misoginia. É possível que machistas exerçam a misoginia; assim como é possível que feministas exerçam a misandria. Mas, isso não é regra. Não se pode confundir.

Feminismo é ter medo de homens. ERRADO! Também existe como conceito o medo generalizado de homens e chama-se androfobia. É muito incentivado pelas violências de gênero, especialmente o estupro.

Feminazi são mal amadas. ERRADO! ERRADO! ERRADO! Primeiro, unir o termo "feminismo" ao termo "nazismo" é um equívoco gigantesco! Como disse acima, o feminismo visa à igualdade. O nazismo (estudar história é importante) não tinha nenhum compromisso com igualdade. Pelo contrário, em nome de uma "raça superior" e de um ódio a quem não se encaixava no padrão "ariano" judeus foram assassinados aos milhões. Depois, acusar feministas de serem mal amadas é mais uma desqualificação de gênero. Então só se luta contra violências, só se luta em defesa da igualdade, em defesa do respeito e das escolhas sobre si e seu corpo quem não recebe amor? Faz sentido isso? 

Lutam por igualdade, mas não reclamam de se aposentarem mais cedo. CERTO! A idade para a aposentadoria feminina é cinco anos menor que a masculina. Isto se deve principalmente às múltiplas tarefas da mulher na nossa sociedade: as jornadas de trabalho, com os filhos, com a casa e com o companheiro. Ainda recai majoritariamente sobre as mulheres a responsabilidade com os filhos: estarem bem alimentados, limpos, tirarem boas notas, crescerem, estarem com as vacinas em dia, saúde em dia. Ainda recai majoritariamente sobre as mulheres a responsabilidade com a casa: limpeza, organização, refeições prontas (e gostosas!), louças e roupas lavadas. Recai majoritariamente sobre as mulheres o compromisso com o casamento: "A mulher sábia edifica o lar". E a mulher moderna trabalha fora, estuda, busca qualificação cada vez maior. Esse conjunto de fatores sociais faz com que nos aposentemos cinco anos antes. Lembrando que os afazeres domésticos não são e nunca foram remunerados.

Lutam por igualdade, mas não são obrigadas a se alistarem. CERTO! Em geral, as feministas consideram não deveria existir alistamento militar obrigatório para ninguém. Você realmente nunca vai ver feministas querendo isso. Elas não querem nem mesmo para os homens. Esse problema aí vem lá das sociedades patriarcais, machistas... não tem relação nenhuma com o feminismo.

Não sou feminista, sou feminina. TÁ ÓTIMO! Feministas também podem ser femininas, podem ser masculinizadas, podem ser heterossexuais, podem ser lésbicas, podem ser o que quiserem. Qualquer mulher pode ser o que ela quiser. Qualquer ser humano deve ter condições de ser o que quiser, desde que isso não agrida fisicamente ou psicologicamente outras pessoas. Desde de que não impeça o direito de outros seres humanos. Então, ser feminista não é o contrário de exercer a feminilidade. Não são antônimos. Não são sinônimos. São coisas que não necessariamente se relacionam. Deu para entender?